aí vai
desfilando incólume aos olhares alheios
insinuando-se em pequenos gestos [ninguém viu]
mesmo assim
vai
fazendo tormenta em quase nada
tornando fuligem qualquer pesadelo
medos barrocos lhe assombram
chiaroscuros, antíteses, infortúnios
como alguém que fica
por não saber exatamente o que significa ir
fazer
ser
sentir
ao andar distraída
permanece no mesmo lugar
tentando ser autoguia
parte de trás, verso, negativo
aquilo que se guarda e esquece
olha depois e estranha
parte interna de um corpo
de um poço
ferida
beijo de adeus não dado
singelo incômodo bem camuflado
vai passando pelos caminhos em íntimo anonimato [si]
não sabe se porta algum sentido
[suspeita que não]
la vie en close
mas pelo olho de outro
porque ali só desventura
insipidez
insignificância
faz dolorosos partos da sua dor
sozinha
à qualquer hora
não sente arroubos de saudade
nem gratidão
nem pertencimento
dá cria a pensamentos de estupor
insabor
hipocrisia
tudo vira matéria de absorção
pelas vias osmóticas da superficialidade
capacidade de crer
às vezes com insatisfatória particularidade
frases soltas que não servem a ninguém
[porém]
destilam calcária saliva
da boca-escrita
a voz muda da oca fantasia.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
Dois de nós
Tal qual solidão,
a companheira mais fiel que eu já
tive,
imóvel há tempos.
Traguei até a garganta queimar a
sua falta,
que era pra sentir na pele
que não tinha mais volta.
Você sabe, deve me perdoar,
mas memórias não duram pra
sempre.
Elas se definham com a gente,
vão ficando empoeiradas pela
turbidez do tempo,
vão pegando aquele cheiro característico da
velhice.
Vão ficando tolas, mancas,
dementes.
E você vai morrendo junto.
Foi repentino, enquanto bebia
outra dose daquele ácido ruim
e olhava pela janela.
foi a luz entrando,
batendo naquela outra mecha mais
clara de cabelos,
aquele tom avermelhado e espantoso.
Confesso que não espera,
assim de quina,
essa oferta tão à mão.
Eu fui vagando tepidamente
e cambaleando entre dois eixos
distantes,
que não combinavam em nada,
mas me uniam em um único ponto.
Locus
O vazio sempre cego
Que vem atormentar
As horas que não passam
Escorridas em lapsos
De passos que nunca
Se fizeram seguir.
Distante das amarras
Dos ares dos seus
Ilustres dentes
Que refletem o brilho
Isolado do sorriso
Que de novo eu quero ouvir.
Não queira
Nem beira
À margem, satisfação.
É sozinha, espada
Crava como dor
O gosto amargo,
Picante.
Vem você
E depois.
Vem jamais
E não se vê.
Longe, é tudo abismo,
É frio, sólido,
Amorfo.
De você,
Marrom íris
Que se afrouxa
Em formas
Que o meu amor se arranja.
A quase firme
Aflitiva vida
Se transforma
Em doces vazões
De ventos calmos,
Se encontram
E se agarram
Nos braços
Dados nós
Que se apertam.
Você
E não desfaz.
Que vem atormentar
As horas que não passam
Escorridas em lapsos
De passos que nunca
Se fizeram seguir.
Distante das amarras
Dos ares dos seus
Ilustres dentes
Que refletem o brilho
Isolado do sorriso
Que de novo eu quero ouvir.
Não queira
Nem beira
À margem, satisfação.
É sozinha, espada
Crava como dor
O gosto amargo,
Picante.
Vem você
E depois.
Vem jamais
E não se vê.
Longe, é tudo abismo,
É frio, sólido,
Amorfo.
De você,
Marrom íris
Que se afrouxa
Em formas
Que o meu amor se arranja.
A quase firme
Aflitiva vida
Se transforma
Em doces vazões
De ventos calmos,
Se encontram
E se agarram
Nos braços
Dados nós
Que se apertam.
Você
E não desfaz.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Recado
Desculpe a hora
Desculpe a distração
Desculpe a demora
Desculpe o perdão
Eu estava me vestindo pra você
E me desculpando intimamente pela falta de vontade
Pelo fulgor
Pela falta de jeito
Pela falta de amor
Mesmo que não acredite nos meus motivos
Me releve
Dê-me pouca importância
Eu também sempre vou um pouco
Na hora que se esvai
Vim na segunda tentativa
Com muito esforço
Me perdi usando seu mapa
Na segunda pista
Na segunda consideração
Cheguei alardeando meu pouco
Minha sentença vitalícia, a segunda posição
Fiz pouco a pouco o vernáculo
Vocabulário trocado
da minha distorção
E para mim, provérbio esquecido na língua do povo
Só sou dita traduzida, gota seca tempestiva
em forma de alusão.
Desculpe a distração
Desculpe a demora
Desculpe o perdão
Eu estava me vestindo pra você
E me desculpando intimamente pela falta de vontade
Pelo fulgor
Pela falta de jeito
Pela falta de amor
Mesmo que não acredite nos meus motivos
Me releve
Dê-me pouca importância
Eu também sempre vou um pouco
Na hora que se esvai
Vim na segunda tentativa
Com muito esforço
Me perdi usando seu mapa
Na segunda pista
Na segunda consideração
Cheguei alardeando meu pouco
Minha sentença vitalícia, a segunda posição
Fiz pouco a pouco o vernáculo
Vocabulário trocado
da minha distorção
E para mim, provérbio esquecido na língua do povo
Só sou dita traduzida, gota seca tempestiva
em forma de alusão.
domingo, 25 de dezembro de 2016
Por enquanto
Pois, então,
Eu disse que te queria bem
Mas, meu bem
Eu mentia
A dignidade de certas palavras nem tive
O sofrimento do seu moderado silêncio eu bebi
Como longos goles frescos
Como se fosse álcool a derrota
E revivado por aquilo que a distância vela
Sou fustigada dia-a-dia por aquilo que não revela
Daqui não te alcanço e nem quero
Um brinde àquilo que hoje não reconheço
Um brinde cego à tudo que me despedaça
Estive pouca, minha razão fraca
E hoje já ambientada à desvalia
Não mais me chamo à revelia
Desvio e estremeço
Diante de pequenos altares muito ornados
A moldura é cedro
A imagem é compensado
Desconheço aquilo que ressoa
Qualquer som me assombra
Mas nem toda música acalma
Ando muito cansada de certas medidas
Médias repetidas
Causas perdidas
E ainda que eu caminhe ao seu lado
Atormentada, destoante
Pode ser que eu esteja longe
E que não haja mais hora em que nos encontremos
A linha é muda, não atendo
A sorte é torta, não governo
A vida toda ou por enquanto
O tempo que opera em mim
é tempo indeterminado
Eu disse que te queria bem
Mas, meu bem
Eu mentia
A dignidade de certas palavras nem tive
O sofrimento do seu moderado silêncio eu bebi
Como longos goles frescos
Como se fosse álcool a derrota
E revivado por aquilo que a distância vela
Sou fustigada dia-a-dia por aquilo que não revela
Daqui não te alcanço e nem quero
Um brinde àquilo que hoje não reconheço
Um brinde cego à tudo que me despedaça
Estive pouca, minha razão fraca
E hoje já ambientada à desvalia
Não mais me chamo à revelia
Desvio e estremeço
Diante de pequenos altares muito ornados
A moldura é cedro
A imagem é compensado
Desconheço aquilo que ressoa
Qualquer som me assombra
Mas nem toda música acalma
Ando muito cansada de certas medidas
Médias repetidas
Causas perdidas
E ainda que eu caminhe ao seu lado
Atormentada, destoante
Pode ser que eu esteja longe
E que não haja mais hora em que nos encontremos
A linha é muda, não atendo
A sorte é torta, não governo
A vida toda ou por enquanto
O tempo que opera em mim
é tempo indeterminado
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