Eu não quero ser
Mais uma vítima urbana, insana, enlouquecida e cheia de arrogância
Eu não quero ser
Mais um refém da sua ignorância, discórdia, loucura e confusão
Eu não quero ser
Mais um corpo mutilado na esquina, mais uma linha interrompida que jaz no chão sem vida
Eu não quero ser
Mais um delito na lista da justiça.
Tudo o que eu queria mudar
É o que eu não sou e o que eu não posso ser
Tudo o que eu queria saber
É como estancar essa fome de poder
Dê-me seu coração
E eu te digo a mais linda canção
Dê-me sua compreensão
E eu te ensinarei a viver mais um dia
Eu não quero ser
Mais uma empresa falida que implora o seu centavo:
Suado, roubado, cobiçado.
Eu não quero ser
Mais uma criança nua na estrada, que se exibe, que não se ama
Não se sabe se ainda quer viver
Eu não quero ser
Mais um pássaro torto trancado na droga da gaiola, a jaula inexistente,
tão presente, tão insuficiente
Mas eu preciso dela ainda
Para sobreviver, para conseguir sair, voltar, viver, sem ver
O que se passa
E o que está acontecendo de verdade
O que vem debeixo disso tudo que chamam de realidade
Mas você não crê
Porque foi violentado pelo seu pai
Sua irmã se prostituiu
E sua mãe está tentando curar mais uma farpa no coração
Mas você não vê
Porque queimaram suas pupilas com as cenas do teatro estúpido do errado.
Você não vê
E você queria entender
Mas não consegue porque inclodiram seu último neurônio com as substâncias túgidas do horror profano,
das lágrimas caídas na escuridão
daquilo tudo que é clandestino e nem se sabe mais setem explicação
Eu não quero ver.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Elegia
O sorriso luminoso esconde
Mas você queima
E no seu cárcere mental,
Você
Se enrola e cresce
Desmaia e acorda
Luta e não vence.
Não consigo mais ver você sendo,
Tentando não ser.
Rasgando-se inteiro
Sangrando em silêncio
Você que berra
Mas não sabe falar
Que chora
Sussurra e implora
Ao tempo que transborda sensações
Intimida reações
E não sabe mais de nada
Você que chama e não escuta
Perde e não sente
Comete e não perdoa.
Eu quis que você se despedaçasse
Todas as vezes que você pensou e não disse
Quando quis e não tentou
Quando viu e fechou os olhos
Quando doeu e não chorou
Quando viveu e não sentiu.
Digo isso para você que sempre quis demais,
Mas sempre a mesma coisa
Digo isso para você, amigo
Que precisa sentir
Muito mais que tormento.
Mas você queima
E no seu cárcere mental,
Você
Se enrola e cresce
Desmaia e acorda
Luta e não vence.
Não consigo mais ver você sendo,
Tentando não ser.
Rasgando-se inteiro
Sangrando em silêncio
Você que berra
Mas não sabe falar
Que chora
Sussurra e implora
Ao tempo que transborda sensações
Intimida reações
E não sabe mais de nada
Você que chama e não escuta
Perde e não sente
Comete e não perdoa.
Eu quis que você se despedaçasse
Todas as vezes que você pensou e não disse
Quando quis e não tentou
Quando viu e fechou os olhos
Quando doeu e não chorou
Quando viveu e não sentiu.
Digo isso para você que sempre quis demais,
Mas sempre a mesma coisa
Digo isso para você, amigo
Que precisa sentir
Muito mais que tormento.
Canto da noite astral
Estou a tua espera
Aguardo-te com promessas
Os teus olhos são teus reis
Governam-te até a culpa
Estou na tua casa
Preparando teu jantar
Vestindo-me de nua
Definhando na tua ausência
Espalhando-me em teus detalhes
Afogando-me em teus lençóis
Pois tu és
Meu vício sem fim
Meu mar de agulhas
O barulho do trovão
És a minha rua
Meu encalço e minha fuga
Meu espelho e minhas mãos
Minha mágoa e minha profusão
Estás em mim
Como o brilho está na lua
Como o sangue está nos corpos
Como a madeira no papel
És pra mim
A minha única segurança
A porta que não se fecha
O pingo que nunca cai
O farol na escuridão
A seiva que me alimenta
A minha consciência
O ponto de sanidade
Minha ignorância, meu pecado
Minha indolência e minha punição
E tu não sabes
Mas adoro-te como um deus
Refaço cada palavra tua
Como se fossem perpétuos manás
Estás em evidência
Vejo-te, e apenas ti
resplandece sobre mim
Não preciso mais verbalizar o que quero
Apenas deixo rastros fluorescentes para você seguir com a sua imprecisão.
Queima-me com sua luz
Devora-me com sua escuridão.
Spin
Saia de mim
Coisa impotente, corrupta e negligente
Afastem-se
Medo e vergonha e revolta
Vão.
Eu não quero mais nada disso aqui.
Quero um corpo puro
Só o mundo a corrompê-lo
Só a matéria a perfurá-lo
Mas nada mais de feridas internas.
Há muita coisa que precisa se ver fora
Mas não vê por onde sair
Há cacos demais no chão.
Meus pés estão cortados
Minhas vísceras estão palpitando
Sim, agora sou livre.
Todo mundo tem grandes problemas
Que não cabem em seus pequenos mundos
Não há alma livre sem perdão
Não há verdade sem solidão
Vida sem utopia
Noite sem pesadelo
Me levem daqui.
Só quero ver as pérolas mergulhando nas águas escuras.
Coisa impotente, corrupta e negligente
Afastem-se
Medo e vergonha e revolta
Vão.
Eu não quero mais nada disso aqui.
Quero um corpo puro
Só o mundo a corrompê-lo
Só a matéria a perfurá-lo
Mas nada mais de feridas internas.
Há muita coisa que precisa se ver fora
Mas não vê por onde sair
Há cacos demais no chão.
Meus pés estão cortados
Minhas vísceras estão palpitando
Sim, agora sou livre.
Todo mundo tem grandes problemas
Que não cabem em seus pequenos mundos
Não há alma livre sem perdão
Não há verdade sem solidão
Vida sem utopia
Noite sem pesadelo
Me levem daqui.
Só quero ver as pérolas mergulhando nas águas escuras.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Para Débora
Como você está?
Espero que não tenha morrido de desgosto
Ou de falta de entusiasmo com este mundo de merda
Acho que podemos dizer que estou em processo de recuperação
Não ando mais sozinha
Já consigo amarrar os sapatos
Só agora eu posso perceber certos perigos
E certas coisas que eu devia ter feito
As propostas que eu deveria ter recusado
As pessoas que eu deveria ter abandonado
Pra que tudo ficasse um pouco menos oco.
Hoje em dia as felicidades continuam sem forma
Quando parece que aquelas montanhas estão se movimentando
Eu vejo que elas só se juntaram mais
Eu precisaria de algo de dentro para ver mais longe
Mas eu não consigo mais acessar nada
Antes era perigoso
Mas era simplesmente o limite
E isso era bom
Com você eu conseguia passar as mãos pela essência
Você me ajudava a trafegar pelos mundos risonhos e pelos sonhos maus
Eu podia correr pra você quando estava estranho demais
Eu ainda escuto você rindo, às vezes
E fico pensando que talvez seja só uma daquelas ilusões curtas
nada mudou e você ainda está caminhando comigo
jogando verdades em mim, esbarrando enquanto ando
para me desviar das possibilidades injustas
e fingindo não perceber todo o meu egoísmo e falta de brilho próprio
Eu estou queimando esta carta sob a lua
em tempos bem menos místicos
em tempos muito pouco pródigos
brincando com coisas muito pouco mágicas
e sopro as cinzas de olhos fechados
sentindo o frio de dentro voltar
imaginando suas mãos se estenderem
e receberem o recado a tempo. Eu ainda estou aqui.
Espero que não tenha morrido de desgosto
Ou de falta de entusiasmo com este mundo de merda
Acho que podemos dizer que estou em processo de recuperação
Não ando mais sozinha
Já consigo amarrar os sapatos
Só agora eu posso perceber certos perigos
E certas coisas que eu devia ter feito
As propostas que eu deveria ter recusado
As pessoas que eu deveria ter abandonado
Pra que tudo ficasse um pouco menos oco.
Hoje em dia as felicidades continuam sem forma
Quando parece que aquelas montanhas estão se movimentando
Eu vejo que elas só se juntaram mais
Eu precisaria de algo de dentro para ver mais longe
Mas eu não consigo mais acessar nada
Antes era perigoso
Mas era simplesmente o limite
E isso era bom
Com você eu conseguia passar as mãos pela essência
Você me ajudava a trafegar pelos mundos risonhos e pelos sonhos maus
Eu podia correr pra você quando estava estranho demais
Eu ainda escuto você rindo, às vezes
E fico pensando que talvez seja só uma daquelas ilusões curtas
nada mudou e você ainda está caminhando comigo
jogando verdades em mim, esbarrando enquanto ando
para me desviar das possibilidades injustas
e fingindo não perceber todo o meu egoísmo e falta de brilho próprio
Eu estou queimando esta carta sob a lua
em tempos bem menos místicos
em tempos muito pouco pródigos
brincando com coisas muito pouco mágicas
e sopro as cinzas de olhos fechados
sentindo o frio de dentro voltar
imaginando suas mãos se estenderem
e receberem o recado a tempo. Eu ainda estou aqui.
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